terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Receita da Amante Ideal

O título do texto não é meu. Muito menos o texto. Pertence a uma das mentes mais esclarecidas desta terras brasilis: Carlos Heytor Cony. Trata-se de uma pérola da língua portuguesa. E por que não dizer uma verdadeiro guia para homens modernos e mulheres perdidas. Ei-lo:


Do ponto de vista poético, jamais saberia definir a amante ideal, nem sequer a namoradinha descompromissada, da qual Pablo Neruda e Vinicius de Moraes, cada um a seu modo, cantaram o gesto, a graça e a glória. Tampouco saberia produzir um ensaio moral (ou amoral) sobre a dita amante -e tremo em pensar que jamais haverá a amante ideal, pelo menos como a desejamos.

Mas há. Ao longo de alguns anos no exercício do duro ofício de homem, cruzei e descruzei com mulheres, amantes umas, amadas outras -todas deram problemas, espantos e triunfos. No calor do momento, todas pareciam únicas, primeiras e eternas, o que é uma banalidade da carne, da nossa carne e do nosso espírito. Cada qual tem seu gosto, sua cólera, seu roteiro de prazer e dor.

Como Siegfried, que, para se tornar imortal, banhou-se no sangue do dragão, mas uma folha caiu em suas costas e este ponto ficou vulnerável ao dardo mortal, mulher é um Siegfried andrógino; todas têm um ponto oculto, vulnerável, decisivo.

Mas a amante ideal existe. Pelas leis do mundo, que costumam ser cruéis para homens e mulheres, é possível que, no rolar das pedras, a cada homem caiba apenas uma única amante ideal, por mais que sua experiência e fome sejam extensas e fundas. Ela não será bela, necessariamente, pois a beleza jamais será fundamental.

Ela será gostosa -não no sentido grosseiro da boazuda, mas feita ao ""gosto" de nossos sentidos e apetites. Terá em síntese, às vezes de forma incompleta, tudo o que procuramos e perdemos em outras mulheres. Será honesta, mas não muito, o suficiente para, quando nos trair, deixar bem claro, a nós e ao outro, que o dono, o deus e o escravo delas continua o mesmo, ou seja, nós.

Voltará sempre e sempre perdoará até mesmo as nossas cachorradas. Será um pouco masoquista e em silêncio assumirá a sua condição de amante ideal, pagando o preço de tudo, mas jamais esquecendo as injúrias, não as graves, que jamais serão esquecidas, mas as banais, que juntas farão em sua carne uma mistura de raiva e desejo, fome a nos devorar com a pérfida boca da vingança -e, aí sim, ela encontrará sabedoria e calma para esperar.

A amante ideal terá, mais ou menos, de oito a 12 anos menos que o seu amo e senhor. Nem muito moça para os desvios do gosto e do jeito nem muito velha para lembrar -a nós homens- as mulheres que não deram certo. Pois a amante ideal sempre dará certo.

Um dia, descobriremos que a desejamos espantosamente, de 15 em 15 dias, de mês em mês, até que o tempo passou, 15 anos ou mais, e ela sobreviveu, com sua força e sua tenacidade às duas ou três mulheres que durante o período passaram pelas nossas vidas, deixando escombros em nossa carne e no orgulho dela. Com o tempo, a amante ideal falará dessas mulheres em tom neutro, poderá repetir em causa própria o velho ditado machista segundo o qual o que é do homem o bicho não come.

A amante ideal sabe que tem a sua hora e vez. E espera. Saber esperar é o diferencial que torna a mulher verdadeiramente ideal, pois as outras mulheres nunca esperam, ao contrário, desesperam-se e partem para cobranças abomináveis, alusões torpes, reivindicações mesquinhas. Quanto mais amaram ou pensaram que amaram, mais se tornam abomináveis nas cobranças e mesquinhas nas vinganças todas.

Ela mesma já está resignada a ser amante ideal, e nada pede, nada reclama. É paciente, humilde e laboriosa. Conhece nossas fraquezas, nossos medos, nossas misérias. Sobretudo nossas misérias. É a única que observa, com neutralidade: ""Você hoje está muito abatido". As outras mulheres, quando pronunciam essa mesmíssima frase, estão sendo oblíquas, na verdade estão insinuando que gastamos nossas energias com outras.

A amante ideal terá sempre na bolsa o lencinho de papel que limpará nosso rosto do batom -mesmo quando o batom for de outra mulher. E quando estivermos tristes, mas tristes de não ter jeito, ela não perguntará por que e ficará triste também, só que sabendo porque ficou triste de repente.

Ventos, tufões, ventanias, coriscos, terremotos, convulsões da terra, da carne e da alma, tudo o que varre e destrói o homem tem na amante ideal o sismógrafo que registra a catástrofe. Ela se considera dotada de um sentido especial para prever essas confusões, mas ela está, a amante ideal, pronta para dizer: ""Já passou". Ou o melhor: ""Eu estou aqui!". Em certo sentido, nós somos um Jesus Cristo e a mulher é o nosso Roberto Carlos sempre à disposição.

Mas a amante ideal é sobretudo a mulher que não precisamos compreender, pois ela se compreende por nós e por ela. É como as coisas que sempre temos e nunca sabemos que temos. Não se esgota nunca e, quando nos surpreende fatigados, exaustos de outros fracassos, ela ali está, pronta, lúcida o bastante para saber cobrar a sua hora e nos ensinar o orgulho de a termos com a humildade que só ela nos pode dar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Crônica de um não-lugar

Sábado, 27 de outubro, sete da manhã. Rodoviária Zuza Balduino. Picos(PI). O entra e sai de pessoas do terminal é normalíssimo. Recife, Teresina, Sussuapara, Caruaru, Campo Grande do Piauí, Belém, Juazeiro são os destinos de ida e volta. Um casal chega numa moto. Uma menina-moça e um rapaz. Ela desce e vai ao encontro de um  rapaz que sentado estava na frente da rodoviária. Conversam e se retiram para debaixo de uma mangueira (o Sol já começava a castigar o sertão). Ele fala, gesticula, pede, contrapõe, explica, concatena. Ela observa com os olhos marejados, soluça uma dor adolescente, suplica com palavras não-ditas. Beijos são trocados. O motoqueira apenas, de longe, observa a cena. Ela se afasta, sobe na moto (uma honda fan 150) e com sua paixão juvenil desaparece na BR. Ele, menos castigado de afã, entra na rodoviária e desaparece na multidão que ia, vinha e não chegava a lugar algum. O vendedor da Guanabara torna a anunciar: Valença, Teresina, Timon, Caxias, Peritoró, Bacacal, Santa Inês e muitas outras cidades não-lugares até chegar em Belém...

domingo, 26 de agosto de 2012

Sobre cotas




Nestes dias têm sido inúmeras as “postações” no facebook e outras redes sociais sobre o julgamento do AP 470 (processo do dito “mensalão”...) no plenário do Supremo Tribunal Federal. Em especial sobre a atuação do “meu primo” Joaquim Benedito Gomes Barbosa. Até ai tudo bem. Querer apenas tecer alguns comentários sobre isso:
Muitos ao postarem seus comentários fazem questão de enfatizar que Joaquim Gomes Barbosa é honrado, ético, inteligente e demais coisa do gênero. Outros, achando que estão arrasando, grifam que ele (Joaquim Gomes Barbosa) não precisou de cotas para chegar ao supremo e coisa e tal. Isso sim merece um contraponto.
Nossa sociedade nutre historicamente atitudes preconceituosas contra negros e demais grupos étnicos minoritários. Muitos, e não são poucos, leem isso e discordam visceralmente. Sem nenhum problema, afinal nossa Carta Magna é bem clara no art. 5, inciso II:- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Mas ninguém pode esconder a realidade rouca das ruas de nosso país. Os melhores empregos são ocupados por quem? Qual é o padrão de beleza que reina na televisão? Que etnia (os apenados) predomina em nosso sistema prisional?
Será por que os negros e negras não são tão inteligentes quantos os demais? Será que os negros e negros já nascem com o DNA comprometido com más ações? Sinceramente, todos sabem que não. Oportunidade de ascensão social é o que impede que negros e negros estejam em pé de igualdade social com os demais brasileiros. Desde a chegada dos primeiros negros no Brasil (vindos escravizados da África), passando pela escravidão em terra brasilis e a dita alforria de 1888, sempre os negros e negras estiveram em desvantagem social e legal. Ai vem pessoas disserem que as cotas são injustas. Que no Brasil não existe preconceito racial. Brincadeira de mal gosto.“Meu primo” Joaquim Gomes Barbosa está lá no STF por mérito seu. É verdade. Agora reflita: quantos outros negros já tiveram assento naquela corte? Joaquim Gomes Barbosa é o primeiro. E a Corte Suprema existe nestas bandas desde 1808.
Vamos às cotas (tenho que confessar que o morfema cota me trás à memória uma mulher vizinha da minha família no povoado Serra do L, onde nasci. Ela era sempre escalada para ficar na bilheteria das festas recebendo as “cotas” dos participantes). Está na mesa da Presidente/Presidenta Dilma Vana Rousseff, esperando a aprovação ou não da Presidente, o projeto de Lei que garante 50% das vagas das IES públicas para cotas étnicas e sociais.
A revista Veja, como fiel escudeira da classe retrógada deste país, já saiu em defesa dos que são contrários às cotas. Na edição 2.284 (de 29/08/2012) a jornalista Julia Carvalho produziu um artigo que traz em seu bojo o verdadeiro preconceito racial, que é a sua negação. Ali é defendido que uma vez os negros entrem na universidade, está perderá sua qualidade, uma vez que, segundo a jornalista, os negros e negras, por serem oriundos da escola público não têm o mesmo prepara acadêmico que os demais. A própria reportagem cita estudos que mostraram que negros e negras tiveram o mesmo desempenho que os demais alunos ao final do curso. Só que a repórter não dá muito mérito ao estudo, uma vez que, segundo o “sociólogo” Demetrio Magnoli: “As pesquisas que aferem rendimento de cotista são muito discutíveis, porque são feitas pelas próprias instituições interessadas em comprovar que suas políticas funcionam”. Citam apenas uma frase de um sociólogo e não mostram nenhum dado contrário às pesquisas e pronto. É querer brincar com nossa inteligência.  Vale lembrar que as cotas nas universidades foram consideradas legais pelo STF.
Outro dado que merece atenção, é o caminho dado pela reportagem para que o governo garanta o acesso de negros e negros às IES públicas: melhorar a educação básica. Ai todos terão acesso ao ensino superior de qualidade. Vamos fazer as contas, os negros e negras foram libertados em 1888, de lá para cá já são 124 anos. Sabedores que somos que reformas educacionais demoram para surtirem efeito, os negros e negras, lá pela metade do século XXII estarão em pé de igualdade com os demais brasileiros. Tenha paciência.
As cotas não vão resolver do dia pra noite o problema do preconceito racial. Seu propósito é fazer uma reparação histórico-social, ainda que tardia, aos negros e negras que também são filhos e filhos deste solo abençoado por Deus e bonito por natureza.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Jubileu de Prata


No último final de semana (17 a 19/08/12), a 2ª. Igreja Cristã Evangélica de Teresina (bairro Buenos Aires) realizou conferências públicas em alusão aos 25 anos de organização. O preletor oficial foi o Rev. Enoque Vieira de Santana (presidente nacional da AICEB). Nesta Casa de Oração tenho congregado nos últimos vinte e dois anos. Os nomes, lugares e eventos a seguir listados, são minhas memórias aicebianas: Irmão Chagas Irmão Zé Nonato Irmão Monteiro Irmão Pereira Irmã Androides Joel Barros Dalmo Pereira Francisco de Assis Machado Vieira Francisco Martins Mônica e Daniel Alan Etevaldo Teles ensaios da mocidade para o aniversário da Igreja Toinha Pastor Juarez de Jesus Sousa Raquel Jeiel Barros Loide Heliane de Arêa Leão Ivonete Irmã Graça Pastor Pedro Reger e Irmã Helena Jonas Sousa Genival Creusa Pereira “Blue Nigth” “Passeio pelos Estados” Irmã Rosário Programa Esperança do Porvir Levi Davi Afrânio Jeiel Souza Aurieth Rosa Amélia Congregação do Planalto Uruguai Irmão Cezino Rancho da Lua Irmã Maira José Noeli e Silas Raquel Campos Pastor Sebastião de Souza Irmã Rita Irmã Margarida Noemi Hanne e Luciano Noelma Irmã Socorro Janaina reuniões para o acampamento de “carnaval” Sarah Souza Elizama Souza Mimi Luciane e Danielle Cleber e Lucélia Vanilde Valdone Ana Alcina. Sei que toda e qualquer relação comete injustiças, com esta não seria diferente. Aos que foram tolidos, minhas sinceras desculpas. À ICE Buenos Aires, nestes dias capitaneada pelo Rev. Edilson Silva, que continues sendo uma agência propagadora do Evangelho de Cristo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

do Plenário do STF

Os nomes s seguir listados: Carlos Ayres Brito, Carmem Lúcia, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Luiz Fux, Dias Toffili, Rosa Weber, Cezar Peluzo e Ricardo Lewandowski tem alguma coisa em comum com você? Saberá você, especial leitor destas mal traçadas linhas, quem são esses cidadãos e cidadãs?
Uma pista, não são os atores e atrizes das novelas globais. Também não disputaram, e por isso não conquistaram medalhas nas olimpíadas de Londres, o que não os condiciona a estarem no mesmo panteão de nossa Sarah Menezes.
Estes nove brasileiros e as duas brasileiras fazem parte do Supremo Tribunal Federal. Só para lembrar as mentes desavisadas: O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário, e a ele compete, precipuamente, a guarda da Constituição, conforme definido no art. 102 da Constituição Federal.
           O Supremo Tribunal Federal é composto por onze Ministros, brasileiros natos (art. 12, § 3º, IV, da CF/88), escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 101 da CF/88), e nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.
Nestes dias ensolarados o STF julga a AP 470 (Ação Penal), o famoso processo do “mensalão”. Mas minha intenção aqui não é tecer considerações jurídicas. Não quero, nem posso dada minha insuficiência acadêmica. Quero apenas fazer um registro sobre algo que tem roubado minha atenção quando assisto às sessões plenárias daquela corte.
O recinto onde se dá as reuniões dos ministros e ministras é deveras pequeno. Mesmo assim o microfone, e um potente microfone (o mestre Lucas Alves saberia explicar melhor...) é utilizado. E é ai que reside meu comentário. Todos e todas as excelências travam uma luta incansável pela correta posição ou justaposição do instrumento de propagação do som. O colocam para cima, depois o rebaixam. Empurram-no para a esquerda e direito sem nenhuma conotação ideológica.
Fico a pensar: estes senhores e estas senhoras conseguem verdadeiros “milagres” jurídicos na guarda de nossa Carta Magna e não conseguem vencer um reles instrumento?





domingo, 5 de agosto de 2012

Pelo Piauí...

Na semana que ontem encerrou, fiz uma viagem por duas cidades que sintetizam o jeito piauiense de ser. No sábado (28/07) sai de Teresina, passei por Altos (minha cidade natal), Alto Longa e fui a São João da Serra. Ali pude sentir um clima, guardadas as proporções, dos alpes... Pense num lugar bom para dormir... Sem falar na beleza e aconchego que a cidade oferece.

Retornei de lá na noite de domingo e na madrugada da segunda (30/07) fui a Pio IX. Pra chegar lá passamos por Demerval Lobão, Lagoa do Piauí, Monsenhor Gil, Agricolância, Barro Duro, Passagem Franca, Elesbaõ Veloso, Valença, Ipiranga, Inhuma, Picos, Francisco Santos, Campo Grande do Piauí, Fronteiras e enfim, Pio IX. A cidade tem mais de 100 anos e sua população é emonentemente jovem. Sua centenária catedral católica aponta para os céus a fé de um povo honesto e trabalhador.

Nesta duas cidades pude sentir o calor humano, a gentileza, a hospitalidade, o bom caráter, a inteligência e a beleza dos tipos humanos piauienses. Nessas horas é bom dizer: SOU PIAUIENSE COM MUITO ORGULHO  !!!!!

sábado, 28 de julho de 2012

A primeira medalha

Meus sinceros parabéns à brasileira moradora do Bela Vista. Salvas de palmas à estudante de educação física. Aves à teresinense que "garimpou" ouro real na terra da rainha. Sarah Menezes é nossa. A pequena Sarah Menezes (isso mesmo: com h no final e com z) é uma brasileira e não desiste nunca.

Confesso que fiquei emocionado com a conquista do metal precioso. Prova maior que quando se tem incentivo, as coisas dão certo. Pena que a imprensa nacional e vendida insiste em reforçar que ela é piauiense, não de forma natural, mas pejorativamente. Quando Aurélio Miguel ganhou o ouro nas olimpíadas de Seul, ninguém disse que ele era de São Paulo. Não tem problemas, ela é nossa. Ela é PIAUIENSE com todas as letras.

Soli Deo Gloria

domingo, 22 de julho de 2012

Uma questão de amizade


Teresina está quente. Até aqui nenhuma novidade. Afinal, quem conhece o calor atmosférico da capital de todos os Piauí-enses  sabe que nesta época do ano, nem o vento é fresco na cidade mafrense.

Mas o calor a que me refiro é o calor provocado pela mosca azul... Estamos no período em que um tipo especial de pessoas saem em busca de amigos... Quem conseguir mais amigos é o grande vencedor.  A todos que já podem distinguir o bem do mal é feito o convite para compartilhar, pelo menos até sete de outubro, o que vier depois é lucro.

Existem duas casas onde os amigos se encontram: numa só há espaço para duas pessoas. Na outra, mais ampla e arejada, tem lugar para vinte e 9 bundas se sentarem.

Entrem os que buscam assento na casa maior e à margem do rio Poty, existe a mais ampla, multifacetada, colorida espécie de pessoas. Detalhe: elas e eles atendem pelo nome verdadeiro, apelido e uma também pela combinação numérica simbolizando suas opções “ideo-lógicas”.

Mas quero aqui tecer poucas letras a respeito daqueles que querem cultivar amizades verdadeiras, a partir de 01 de janeiro de 2013, na Praça da Bandeira, 816. Eles são sete. Todos homens, ou pelos menos, assim nasceram. 

Um não tem o próprio nome. Já teve vários amigos de situação e hoje age como se chegasse nessas paragens só agora. Há os que só buscam amigos para sanar o afã de poder ou divertir os que passam.

O atual ocupante da cadeira da casa menor tem apenas um defeito: não gostam dos seus amigos. Mas parecer ser um amigo de verdade.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dos meus erros...

Num desses dias que não se deve sair de casa, nem mesmo para cuspir, ouvir a seguinte de uma (quase)  ex namorada descrição meus erros no que tange ao relacionamento:

Ausência Familiar

Insegurança, Falta de objetivos

Falta de Carinho e Atenção

Desrespeito

Mentiras

Hoje acordei com uma série dúvida se isso é verdade (ou se o era naquele momento...)





quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tempos de eleição...

Aos meus parcos eleitores: até o término das convenções partidárias e registro das candidaturas (05 de julho de 2012), estarei ausente deste espaço...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre a fundação do PDT...


Eu vi…

Normalmente não escrevo aos Domingos, mas hoje senti um “ardor” em meu coração, uma vontade de expor meus pensamentos, gritar como um louco, declamar poesias como um apaixonado. Deu vontade de compartilhar com os leitores minhas angústias, medos e frustrações, mas como esse espaço é para bem mais que isso, deixarei apenas um poema que “mexe” comigo.
“Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos.
Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro.
Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritos as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram mas que foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem consequências, testemunha a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar o gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva;
E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e jogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
Vi os empregos da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário. Se ela é jogo, como pode ser pura…? Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraudes?
Vi discursos…”
Carlos Drummond de Andrade (Jornal do Brasil (JB), 15/08/80 – Caderno Cidades).

sábado, 5 de maio de 2012

Hoje...

Hoje é o dia que começou a zero e terminará a meia-noite... Um dia igual aos outros e especial, pois revela a misericórdia de Deus... Especialmente sobre minha vida...

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coisas da política...

No meu Piauí as coisas são muito interessantes. Foi dado o título de cidadania piauiense ao vice-presidente da república Michel Miguel Elias Temer. Até ai nada demais, afinal esta mesma comenda já foi dada ao Edson Arantes do Nascimento e o mesmo nunca se dignou a vir recebê-la...

O que chama atenção é o afã da nossa imprensa em querer passar para a população que tal outorga ao vice-presidente vai melhorar nossa situação econômica, social e financeira. Segundo os especialistas de nossos telejornais, o vice-presidente agora vai ficar sensibilizado com nosso penúria no cenário nacional e, por ser nosso conterrâneo, vai reunir forças e ajudar nosso combalido estado.

É esperar pra vê (conselho: esperemos sentados confortavelmente...)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Para os que gostam de Literatura....

Algumas questões de Barroco:

01. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo:

A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________.

a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista.


02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:

a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.

b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.

c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.

d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.

e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.


03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:

a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.

b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.

c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.

d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.

e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.


04. (VUNESP)

Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:

a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.

b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.

c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.

d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.

e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.


05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta:

a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.

b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.

c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.

d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.

e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas.


Texto para as questões 06 a 08

À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria, sinta-se triste.
Começa o Mundo enfim pela ignorância
A firmeza somente na inconstância.

06. No texto predominaram as imagens:

a) olfativas;
b) gustativas;
c) auditivas;
d) táteis;
e) visuais.


07. A idéia central do texto é:

a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.


08. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?

a) disposição antitética da frase;
b) cultismo;
c) estrutura bimembre;
d) concepção teocênctrica;
e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva.



09. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:

a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.


10. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos:

a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.

b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.

c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.

d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.

e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso.

depois falo o gabarito...