quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ladrões de sonhos

Apareceu no Portal G1 hoje:
“No último domingo,dia 18/01, o grupo radical Boko Haram atacou o vilarejo de Mabass, divisa de Camarões com a Nigéria. Na ação foram sequestradas 80 pessoas, sendo 50 crianças com idades entre 10 e 15 anos de idade. O governo camaronês, através de seu porta-voz, confirmou os ataques, os sequestros e ainda informou que pelo menos 3 pessoas foram mortas pelos terroristas. Com este ataque nos Camarões e os ataques neste final de semana no Níger, alguns países africanos se reuniram em Niamey, capital do Níger, para discutir estratégias contra os terroristas. Os ministros da defesa dos países Benin, Camarões, Guiné Equatorial, Níger, Nigéria e Chade se encontraram com representantes da Alemanha, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia para tentar encontrar soluções para este problema. Desde 2009 o Boko Haram tem tentado implantar a sharia na Nigéria, atacando vilarejos, matando cristãos, destruindo igrejas, incendiando vilas e deixando um rastro de destruição.”

Essa notícia traz à memória um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo (aos mais novos e menos avisados, explico: era um programa exibido na rede globo nos anos 80, adaptação da obra do meu amigo Monteiro Lobato) em que um homem andava pelo mundo roubando calendários para quê ninguém lembrasse que aquele ano iria acabar e assim o ano novo nunca começaria. Esse loucos do Boko Haram fazem a mesma coisa: roubam o futuro.


Em tempo: para quem não sabe, Sharia é é um termo árabe  que significa "caminho", mas, que historicamente, dentro da religião islâmica, tem sido continuamente empregado para se referir ao conjunto de leis da fé, compreendida pelo Alcorão, a Suna  (obra que narra a vida do profeta Maomé), além de sistemas de direito árabe mais antigos, tradições paralelas, e trabalho de estudiosos muçulmanos ao longo dos primeiros séculos do Islã. Em outras palavras, a Sharia é um sistema detalhado de leis religiosas desenvolvido por estudiosos muçulmanos e ainda em vigor entre os fundamentalistas hoje.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Os iluminados

Sábado de manhã. A área de autoatendimento do banco estava lotada, afinal era o último dia de atendimento bancário do ano. Dos seis caixa eletrônicas à disposição dos clientes apenas a metade funcionava. A fila já fazia curvas... Uma senhora "apanhava" da máquina, outro cliente fazia uma operação sendo orientado por outro via celular, outro insistia em colocar uma senha não aceita pela máquina. Reclamações corriam soltas. Os caixas só dispunham de notas de dez reais, mais reclamação...

Na fila, entre os "fileiros" e "fileiras", as conversas eram as mais diversas: calor, futebol , a robaleira dos políticos, as esperanças para o novo ano que dali a pouco seria iniciado, a falta de segurança reinante na cidade, o perigo das estradas, enfim, falas pra se encher o tempo que se passa parado/parada numa fila de banco...

Em meio a tudo isso um iluminado adentra a agência e se dirige a um dos caixas que não está funcionando (pelo menos para nós, reles mortais). Chega em frente à máquina, não considera a mensagem do visor: FORA DO AR. Pacientemente retira seu cartão da carteira e o coloca na máquina... e espera (é imperioso registrar que vários/várias reles mortais não iluminados, com a melhor das intenções, avisaram que aquele caixa-rápido não estava funcionando, como é típico dos iluminados/iluminadas, as advertências foram desconsideradas...)... depois de esperar um considerado tempo, o iluminado desiste e vai para o final da fila... mais um para a vala comum dos reles mortal.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Intolerância

Nessa semana passada relembrei das minhas aulas de Francês na Gloriosa (UFPI). As tevês estampavam a todo instante a frase: je suis Charlie (eu sou Charlie). De início, achei muito estrando pessoas do mundo inteiro fazendo selfies  segurando cartazes com esse dizer gaulês. Quem é Charlie no “jogo do bicho”?
Mais estranho foi quando descobri a razão de tanta fracofilia (qualidade de quem é amigo da França, e, por extensão do idioma francês) neste nosso mundo infestado de seguidores da língua de Shakespeare: terrorista, ditos do Estado Islâmico invadiram e mataram jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo. Motivo: intolerância religiosa.
Confesso que fiquei sem saber o que dizer (mesmo que em francês...). O dito jornal usava e abusava de matérias ridicularizando o islamismo, cristianismo e outras religiões. Mas eles tinham preferência pelos seguidores de Maomé.
Como que num efeito em cadeia, multidões de franceses saíram às ruas da capital luz (Paris) em protesto contra os atentados. Palavras de ordens são ecoadaas mundo afora (principalmente nas redes sociais...): pela liberdade de expressão, contra o terrorismo e coisas afins.
Não vou adentrar na ação que se deu na França. Quero aqui apenas compartilhar o que penso sobre a intolerância religiosa. Primeiro é salutar e imperioso afirmar que os ataques ali ocorridos são frutos de extremistas ultrarradicais (se isso num é um pleonasmo...). Extremista ou fundamentalistas existem em todo lugar e pensamento.
Também sou religioso: Sou cristão, de tradição protestante e prática evangélica. Penso ser certa a minha escolha e escola religiosa. Isso todavia não chancela nenhuma conduta que venha desmerecer a fé alheia. Os estandartes de minha fé devem ser levantados dentro de uma vivência cotidiana que cause “estranhamento” (utilizando um termo da Literatura) social em minha comunidade. Ou seja: minhas ações devem ser o parâmetro onde é medida minha fé ( e porque deve ser seguida). Palavras vazias ou atos violentos nada valem ou acrescentam.
Religião é religar. É o caminho de volta para o criador.
“...Religião, e a verdadeira religião, existe porque o vazio do homem tem a forma de Deus (Blaise Paschoal).




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Um mea culpa

Se é tradição, não sei. O que vejo são as pessoas prometendo "mundos e fundos" diante de cada começo de ano... em geral, sem nenhum medo de errar, essas promessas não duram até a chegado do reinado de momo...

Quero atentar para uma coisa:  o fato dos anos começarem e terminarem sempre...A idéia de dividir o tempo em fátias é fabulosa. Organiza atos e ações dentro de espaços, temporais...

Mas o que acontece mesmo de fato e não muda é o que está relatado no texto sagrado, ei-lo:

"...quero lembrar do que pode me dar esperança: A bondade do SENHOR é a razão de não sermos consumidos, porque  as suas misericórdias não têm fim; renovam-se plenamente a cada manhã! Grande é a tua fidelidade!" livro das Lamentações de Jeremias, capítulo 3, versículos 21 a 23.

Não importa se estamos em 1917 ou em 2015. O que vale realmente para nossas vidas é a certeza que nosso Deus está ao nosso lado...

Outra coisa digna de nota é o fazer promessas para si mesmo: perder peso, trocar de emprego, casar, ter filhos e torcer prum time que preste.... a lista é quase infinita. Observo que quase ninguém fala em mudanças morais, tomada de atitudes éticas e coisas afins...

Remexendo meus papéis velhos e avulsos (e não são poucos...) encontrei uma lista de defeitos que, segundo uma grande ex namorada, eu teria e precisaria mudar antes do ano novo começar...

Ela listou cinco critérios (feitos e mensurado na "cabecinha" dela) onde eu havia sido "reprovado", vamos a eles:

Ausência familiar (segundo ela, eu pouco dava atenção aos familiares dela...), segurança e objetivos (na visão dela, eu não conseguia transmitir isso a ela...), carinho e atenção (na opinião de minha ex, eu não era nem um pouco...), respeito (ela entendia que eu dava mais valor aos amigos que a ela...) e mentiras (nas palavras dela: ... relacionamentos com mentiras não dar certo).

Bem... nosso relacionamento não perdurou, hoje seguimos caminhos diferentes... Confesso que ela tinha razão em alguns pontos, nos outros, pura invenção feminina...

Vou trabalhar para que os dias que amanhecerem e anoitecerem, agora em 2015 ou na copa de 2030, me encontrem uma pessoa melhor de conviver em sociedade...

Soli Deo Gloria