segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Crônica de um não-lugar
Sábado, 27 de outubro, sete da manhã. Rodoviária Zuza Balduino. Picos(PI). O entra e sai de pessoas do terminal é normalíssimo. Recife, Teresina, Sussuapara, Caruaru, Campo Grande do Piauí, Belém, Juazeiro são os destinos de ida e volta. Um casal chega numa moto. Uma menina-moça e um rapaz. Ela desce e vai ao encontro de um rapaz que sentado estava na frente da rodoviária. Conversam e se retiram para debaixo de uma mangueira (o Sol já começava a castigar o sertão). Ele fala, gesticula, pede, contrapõe, explica, concatena. Ela observa com os olhos marejados, soluça uma dor adolescente, suplica com palavras não-ditas. Beijos são trocados. O motoqueira apenas, de longe, observa a cena. Ela se afasta, sobe na moto (uma honda fan 150) e com sua paixão juvenil desaparece na BR. Ele, menos castigado de afã, entra na rodoviária e desaparece na multidão que ia, vinha e não chegava a lugar algum. O vendedor da Guanabara torna a anunciar: Valença, Teresina, Timon, Caxias, Peritoró, Bacacal, Santa Inês e muitas outras cidades não-lugares até chegar em Belém...
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BEM OBSERVADOR! CURTI!
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