domingo, 17 de fevereiro de 2013

A última Flor do Lácio


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac.



Nos auge dos meus 12 anos acontecia a Copa do México. Os menos jovens não lembrarão, mas Zico (mesmo sendo injustamente apontado pela derrota do Brasil para a França, sempre será o melhor do mundo), Michel Platini, Lotar Matheus, Maradona, Careca, Faff e tantos outros fizeram aquela competição, uma das melhores que já assisti. A “Ola” organizada das torcidas ficou marcada na memória de muitos, inclusive a minha. Outra coisa que ficou marcada em minhas reminiscências foi a língua mexicana. O espanhol era a todo instante, pelos narradores e repórteres, “cantado e decantado”. Todos queriam dizer as expressões e dizeres espanhóis. Diego Armando Maradona e a sua “mão de deus” ganhou a copa.

Em 1990 foi a copa da Itália. A língua da vez foi o italiano. Mais uma vez uma língua latina foi a “bola da vez”. As propagandas da época, as de automóveis da FIAT, em sua grande maioria, faziam alusão à língua de Cristóvão Colombo e de outros tantos cantores de ópera. Desta vez os germânicos, como um sofrido gol de pênalti, levaram a taça. A Copa dos Estados Unidos trouxe-nos o tetra campeonato mundial: saudade do tempo que a seleção brasileira tinha um atacante de verdade, Romário. A língua de Shakespeare “roubou a cena”. Nunca antes na história de nosso país as escolas de inglês faturaram tanto.

A Coupe de Monde, realizada entre junho e julho de 1998, foi como quê uma injeção de adrenalina na combalida língua latina. Paris, Zidane, Balzac, Piquet, Torre Eiffel, Rio Sena foram os principais atrativos daquela copa. Perdemos a copa na final, mas essa é outra história. Lembro que a Band tinha um programa, semanas antes da copa, com o Paulo Henrique Amorim e o Armando Nogueira sentados e comentando os jornais europeus, em especial os franceses, sobre as notícias cotidianas do velho continente. Zinedine Zidane e sua trupe levaram a melhor.

As copas do Japão/Coreia(2002), Alemanha (2006) e África do Sul (2010) repetiram o que se viu nas anteriores no que tange á língua. Se lembro bem das minhas aulas de lingüística, com a Profa. Dra. Maria Auxiliadora Ferreira Lima, a língua em conjunto com a cultura, é o que melhor nos define como povo e nação. A já afamada Copa do Mundo do Brasil se aproxima e com ela os incontáveis anúncios das escolas de idiomas sobre a melhor maneira/jeito/método/disciplina de aprender a língua de Camões ? Fernando Pessoa ? Machado de Assis ? Torquato Neto ? Raimundo Gomes ? que nada, o que se quer é que as pessoas aprendam inglês...