segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Um pouco sobre intolerância religiosa...

 Há alguns anos (2015) aconteceu um episódio que me fez relembrar das minhas aulas de Francês na Gloriosa (UFPI). As tevês estampavam a todo instante a frase: je suis Charlie (eu sou Charlie). De início, achei muito estrando pessoas do mundo inteiro fazendo selfies  segurando cartazes com esse dizer gaulês. Quem é Charlie no “jogo do bicho”?

Mais estranho foi quando descobri a razão de tanta fracofilia (qualidade de quem é amigo da França, e, por extensão do idioma francês) neste nosso mundo infestado de seguidores da língua de Shakespeare: terrorista, ditos do Estado Islâmico invadiram e mataram jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo. Motivo: intolerância religiosa.
Confesso que fiquei sem saber o que dizer (mesmo que em francês...). O dito jornal usava e abusava de matérias ridicularizando o islamismo, cristianismo e outras religiões. Mas eles tinham preferência pelos seguidores de Maomé.
Como que num efeito em cadeia, multidões de franceses saíram às ruas da capital luz (Paris) em protesto contra os atentados. Palavras de ordens são ecoadas mundo afora (principalmente nas redes sociais...): pela liberdade de expressão, contra o terrorismo e coisas afins.
Não vou adentrar na ação que se deu na França há oito anos. Quero aqui apenas compartilhar o que penso sobre a intolerância religiosa. Primeiro é salutar e imperioso afirmar que os ataques ali ocorridos são frutos de extremistas ultrarradicais (se isso num é um pleonasmo...). Extremista ou fundamentalistas existem em todo lugar e pensamento.
Também sou religioso: Sou cristão, de tradição protestante e prática evangélica. Penso ser certa a minha escolha e escola religiosa. Isso todavia não chancela nenhuma conduta que venha desmerecer a fé alheia. Os estandartes de minha fé devem ser levantados dentro de uma vivência cotidiana que cause “estranhamento” (utilizando um termo da Literatura) social em minha comunidade. Ou seja: minhas ações devem ser o parâmetro onde é medida minha fé ( e porque deve ser seguida). Palavras vazias ou atos violentos nada valem ou acrescentam alguma coisa.
Religião é religar. É o caminho de volta para o criador.
“...Religião, e a verdadeira religião, existe porque o vazio do homem tem a forma de Deus (Blaise Paschoal).