No ato religioso que
celebra a união conjugal, o sacerdote faz uma assertiva que serve para dar a
ideia da duração do matrimônio pactuado: “... até que a morte os separe..”. O
que vai ser relatado abaixo prova de forma simples que pequenos atos conjugais
têm propriedades que se perpetuarão para a eternidade.
Uma terça-feira. Uma Chuva.
Um jovem casal. O penteado da esposa. A camisa do esposo. Misture tudo isso com
o sentimento mais nobre desse mundo e teremos uma situação que serve de exemplo
para que os casais convivam de forma plena a relação.
Era uma situação difícil.
A chuva e a distância do carro faziam com que o medo que atribula 05 em cada três
mulheres tomasse conta dos nervos da mulher: estragar o penteado. Nenhuma
solução à vista. Nenhum guarda-chuva. Nenhum manobrista. “Calafrios estéticos”
percorriam seu corpo: tanto tempo para se atingir o “ponto” e as águas pluviais
estavam a ponto de estragar tudo...
O esposo, como todos da
sua espécie, não problema algum em olhar o cabelo, o que fazia a esposa responder
“na lata”: cabelo não, penteado. Duas cabeças, dois tipos distintos de cabelos
e penteados. O dele bastava molhar, ajeitar com as mãos e pronto, já se podia
ganhar o mundo.
O que aconteceu em seguida é digno de nota e
por isso mesmo ocupa este espaço.
O esposo se despe da camisa
e a entrega à esposa para que proteja seu penteado. Mais o ato esposal está longe
de se restringir à proteção da estética capilar. Sua significância é revestida
do fundamento que une duas pessoas diferentes para compartilhar um só caminho.
A esposa aceitou o ato
como quem aceita o obvio: igual ao rio que deságua no mar. Semelhante ao amanhecer
após uma noite estrelada. Sabedora que o sentimento que a uniu àquele “filho de
Adão” era ainda mais intenso de que quando o conheceu. Ou melhor, mais forte e
ampliado. O caminho percorrido até o carro foi curto e apressado. O sentimento
que os levou até lá nunca mais seria o mesmo.
Um gesto rápido, espontâneo
e verdadeiro que revela a essência da vida conjugal.