quinta-feira, 19 de março de 2026

Prata e ouro

 As lembranças que tenho da minha mãe são doces e educativas... Ficamos órfãos muito cedo: aos sete anos de idade... Somos três irmãos, eu sou o do "meio". Tenho uma irmã mais velha e um irmão caçula.

Umas recordações que guardo num lugar especial tem carácter educativo, mas com uma "cobertura" de doçura e humor... Nossa mãe dizia que seus dois filhos eram por demais especiais... Eu era ouro e meu irmão, prata. Foi meu primeiro empoderamento!!!

Passados uns dias, aparece em nossa rua (zona norte de Teresina, rua sem calçamento, muitas poças de lama...) um comprador de ferro-velho e metais preciosos... Meu irmão e eu estávamos disputando uma partida de futebol na rua... (era em janeiro...férias da escola...) Ao ouvir aquela voz rouca e "maldizente" anunciar:"compro panela de alumínio, colheres de ferro, ouro e prata...", não pensei duas vezes: peguei meu mano pela mão e corremos em disparada ao encontro da mamãe!!! Foi um dos maiores medos que já senti até hoje... Já pensou: ser vendido!! Nunca!!!

Mas minha mãe nos acalmou e explicou a situação. Nós dois tínhamos o valor de muita prata e ouro!! Éramos especiais!! Sentindo aquele alívio que só as mães sabem dar!!!

domingo, 15 de março de 2026

Centenário: da não intransitividade nominal

As palavras sempre fizeram parte (muito) importante em minha vida. E na vida de todo mundo: quem vive sem elas?

No dia de hoje, estava eu passando pela Praça do bairro Itaperú (zona norte da capital de todos os piauienses...) e veio à mente uma lembrança da infância, dos tempos que ainda acreditava que haveria um lugar onde se guardava o restante da tinta azul que pintaram o céu...

Nessa época a palavra centenário só tinha um significado: o nome de umas das  avenidas que ligavam o meu bairro ao centro da cidade... Nada mais. Sem nenhuma relação com o nome que é dado ao conjunto de cem anos.

A lembrança ocorreu-me porque na dita praça do Itaperú começa a avenida Centenário (que é uma homenagem aos primeiros cem anos da capital mafrense completos em 1952). Aos que não estão lembrando onde fica: é a artéria que margeia o aeroporto local...

Com esse pensamento ocorreu-me outro: a intransitividade dos nomes... A NGB (nomenclatura gramatical brasileira) determina que alguns verbos têm todo seu sentido contido neles mesmos. Exemplo: o verbo morrer: "João morreu". Todo o sentido do verbo morrer está encerrado nele mesmo. Quem morre, morre... Mas ao falarmos: "João disse". O verbo dizer necessita que algo complete sua valência (sentido). Quem diz alguma coisa...e por vai...

A palavra Centenário era pra ter essa intransitividade... Mas para mim não tem...