terça-feira, 10 de outubro de 2023

Briga de irmãos

 Precisei ir a um compromisso e chamei um Uber... A viagem ia ser bem rápida. Vi que o nome da motorista era Lia...(piada pronta) Quando entrei no carro indaguei se ela conhecia a história das irmãs Lia e Raquel, respondeu que não (apesar do nome bíblico, seus pais não eram evangélicos). Relatei a passagem bíblica e ao final soltei a máxima: Jacó foi o primeiro caso de analfabetismo que se tem notícia: amava Raquel e não Lia!!!Dona Lia riu com vontade!!!A viagem segue com as mesmas conversas de sempre: trânsito ruim, o calor insuportável de Teresina e assunto novo: o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas...

Perguntei se ela sabia a origem do conflito... mais uma negativa: confessou que não lia a Bíblia. Passei então a relata a história dos patriarcas bíblicos (a promessa de Deus a Abraão, a pressa  de Abraão, Isaque e Ismael, Jacó e Esaú, repeti a narrativa de Jacó e suas quatro esposas, os doze filhos de Jacó e, finalizei com a saga que foi a vida de José do Egito...) e seu desfecho nesse conflito que está desvastando vidas de milhares no Oriente Médio.

Cheguei ao meu destino, paguei a conta e quando ia saindo do carro, dona Lia agradeceu, nas suas palavras, pelas "bela histórias"

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Uma simples pergunta...

 A aula já estava chegando ao fim... até ali nada fora da normalidade numa última aula de uma quarta-feira numa tarde setembrina: alunos cansados depois de cinco aulas diversas de um terceiro ano do ensino médio. Antes da minha "participação", já tinha tido física, química e matemática... encarar literatura africana de língua portuguesa não é algo "muito excitante"!!!

Mesmo sem pedir, o "o menino que escrevia versos (Mia Couto) salvou o dia!!!.

Terminada a leitura e feitos os comentários necessários, algo aconteceu e me fez crê que  nem tudo está perdido!!! Um aluno, que ao longo dos últimos nove meses nunca havia dado qualquer predisposição pra Literatura solta essa: "Professor, você pode arrumar um livro pra eu lê?". 

Confesso que gelei na hora. "Como é que é? " foi a minha reação. Ele repetiu "ipisis in verbis a pergunta feita e declinou a razão:"preciso voltar a ler" Fui invadido por uma sensação sem igual: ele quer ler!!! Não pensei duas vezes: voltei à sala dos professores e peguei o livro que eu lendo, Assassinato na Academia Brasileira de Letras (Jô Soares) e repassei ao aluno.

Uma tarde feliz por uma simples pergunta!!!

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Um pouco sobre intolerância religiosa...

 Há alguns anos (2015) aconteceu um episódio que me fez relembrar das minhas aulas de Francês na Gloriosa (UFPI). As tevês estampavam a todo instante a frase: je suis Charlie (eu sou Charlie). De início, achei muito estrando pessoas do mundo inteiro fazendo selfies  segurando cartazes com esse dizer gaulês. Quem é Charlie no “jogo do bicho”?

Mais estranho foi quando descobri a razão de tanta fracofilia (qualidade de quem é amigo da França, e, por extensão do idioma francês) neste nosso mundo infestado de seguidores da língua de Shakespeare: terrorista, ditos do Estado Islâmico invadiram e mataram jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo. Motivo: intolerância religiosa.
Confesso que fiquei sem saber o que dizer (mesmo que em francês...). O dito jornal usava e abusava de matérias ridicularizando o islamismo, cristianismo e outras religiões. Mas eles tinham preferência pelos seguidores de Maomé.
Como que num efeito em cadeia, multidões de franceses saíram às ruas da capital luz (Paris) em protesto contra os atentados. Palavras de ordens são ecoadas mundo afora (principalmente nas redes sociais...): pela liberdade de expressão, contra o terrorismo e coisas afins.
Não vou adentrar na ação que se deu na França há oito anos. Quero aqui apenas compartilhar o que penso sobre a intolerância religiosa. Primeiro é salutar e imperioso afirmar que os ataques ali ocorridos são frutos de extremistas ultrarradicais (se isso num é um pleonasmo...). Extremista ou fundamentalistas existem em todo lugar e pensamento.
Também sou religioso: Sou cristão, de tradição protestante e prática evangélica. Penso ser certa a minha escolha e escola religiosa. Isso todavia não chancela nenhuma conduta que venha desmerecer a fé alheia. Os estandartes de minha fé devem ser levantados dentro de uma vivência cotidiana que cause “estranhamento” (utilizando um termo da Literatura) social em minha comunidade. Ou seja: minhas ações devem ser o parâmetro onde é medida minha fé ( e porque deve ser seguida). Palavras vazias ou atos violentos nada valem ou acrescentam alguma coisa.
Religião é religar. É o caminho de volta para o criador.
“...Religião, e a verdadeira religião, existe porque o vazio do homem tem a forma de Deus (Blaise Paschoal).