Nessa semana passada
relembrei das minhas aulas de Francês na Gloriosa (UFPI). As tevês estampavam a
todo instante a frase: je suis Charlie
(eu sou Charlie). De início, achei muito estrando pessoas do mundo inteiro
fazendo selfies segurando cartazes com
esse dizer gaulês. Quem é Charlie no “jogo do bicho”?
Mais estranho foi
quando descobri a razão de tanta fracofilia (qualidade de quem é amigo da
França, e, por extensão do idioma francês) neste nosso mundo infestado de
seguidores da língua de Shakespeare: terrorista, ditos do Estado Islâmico
invadiram e mataram jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo. Motivo: intolerância religiosa.
Confesso que fiquei sem
saber o que dizer (mesmo que em francês...). O dito jornal usava e abusava de
matérias ridicularizando o islamismo, cristianismo e outras religiões. Mas eles
tinham preferência pelos seguidores de Maomé.
Como que num efeito em
cadeia, multidões de franceses saíram às ruas da capital luz (Paris) em
protesto contra os atentados. Palavras de ordens são ecoadaas mundo afora
(principalmente nas redes sociais...): pela liberdade de expressão, contra o
terrorismo e coisas afins.
Não vou adentrar na
ação que se deu na França. Quero aqui apenas compartilhar o que penso sobre a
intolerância religiosa. Primeiro é salutar e imperioso afirmar que os ataques
ali ocorridos são frutos de extremistas ultrarradicais (se isso num é um
pleonasmo...). Extremista ou fundamentalistas existem em todo lugar e
pensamento.
Também sou religioso: Sou
cristão, de tradição protestante e prática evangélica. Penso ser certa a minha
escolha e escola religiosa. Isso todavia não chancela nenhuma conduta que venha
desmerecer a fé alheia. Os estandartes de minha fé devem ser levantados dentro
de uma vivência cotidiana que cause “estranhamento” (utilizando um termo da
Literatura) social em minha comunidade. Ou seja: minhas ações devem ser o
parâmetro onde é medida minha fé ( e porque deve ser seguida). Palavras vazias
ou atos violentos nada valem ou acrescentam.
Religião é religar. É o
caminho de volta para o criador.
“...Religião, e a
verdadeira religião, existe porque o vazio do homem tem a forma de Deus (Blaise
Paschoal).
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